Total de visualizações de página

sábado, 26 de maio de 2012

Amor e casamento traduzidos num vestido de noiva

Por YUNO SILVA da TRIBUNA DO NORTE


A bailarina Carol Reis...
O fotógrafo Paulo Oliveira abre nesta quinta-feira, às 19h, na livraria Siciliano/Saraiva do Midway Mall, a exposição "Noivas, porque não?", onde revela, em 31 imagens, as várias faces de uma imagem que traduz em véu e grinalda o inconsciente coletivo de boa parte das mulheres - e por que não dizer dos homens, afinal muitos também sonham com o momento mágico do matrimônio nos moldes tradicionais. Mas, independente do tipo de casamento, da condição social, credo, cor ou estilo da cerimônia, a figura da noiva inspira e transcende a mera cronologia do tempo. A exposição fica em cartaz por 25 dias.

 Ilana Félix (eu)...
E é justamente por imortalizar esses momentos, há mais de duas décadas, que Paulo Oliveira pretende mostrar que "noiva também é um estado de espírito". "Não há nada melhor que manter o frescor do noivado durante o casamento por muitos e muitos anos. Como nem tudo é perfeito, fotografei noivas felizes e infelizes", garante o fotógrafo.


Suas imagens, todas em preto e branco e ampliadas no tamanho 40cm x 50cm, também procuram desmistificar aquela ideia da 'noivinha bonitinha branquinha e riquinha': "Quero que as pessoas notem não apenas os noivos 'clássicos', e sim a felicidade de noivos e noivas com identidades próprias", observa. Na lista selecionada por Oliveira se encontram noivas cadeirantes, afrodescendente, com Síndrome de Down, artistas, professores, militares, empresários, jornalistas e banqueteiras - personalidades da sociedade natalense que se dispuseram a serem fotografadas, usando vestido de noiva ou elementos que são usados na cerimônia do casamento.

Dentro desse contexto também há noivas que casaram e não tiveram fotos, outras que após várias décadas permanecem casadas e felizes. Noivos pressionados e que terão que casar; noivos que não querem casar. Infelizes, divorciados, 'tico tico no fubá' e aqueles que vivem juntos. "É neste emaranhados de sentimentos que surgiram as imagens", disse Paulo Oliveira.

e a coreógrafa Anízia Marques foram algumas das modelos. Esta última assinou também os figurinos.

domingo, 29 de abril de 2012

Pior que quedra livre

Antes gestora de políticas públicas e entidade de fomento à cultura na Cidade. Agora troca de moeda para alocação de afiliados no governo municipal. Que a Funcarte vem em declínio desde a saída de Dácio Galvão, todo mundo já sabe. Mas que entraria numa decadência sem fim em velocidade maior que uma queda livre, poucos poderiam imaginar. Segue panorama atual da entidade por Yuno Silva - Repórter da TRIBUNA DO NORTE



A situação da Fundação Capitania das Artes continua indefinida e, apesar de Roberto Lima ter externado a intenção de entregar o cargo, ele ainda responde oficialmente como presidente da instituição. O problema é que, na medida que o tempo passa, os problemas se acumulam e o nó vai ficando cada vez mais difícil de ser desatado. Diante do quadro, o clima de incerteza aumenta com a possibilidade de um desfecho inesperado para a questão - que pode pegar muita gente de surpresa, sobretudo os artistas.
Rodrigo SenaFonte próxima à direção informa existência de articulação nos bastidores para empossar o atual assessor jurídico, Higor Hentz, como presidente.Fonte próxima à direção informa existência de articulação nos bastidores para empossar o atual assessor jurídico, Higor Hentz, como presidente.

Uma fonte da TRIBUNA DO NORTE, próxima à direção da Capitania, informou a existência de articulação nos bastidores para empossar o atual assessor jurídico da Funcarte, Higor Hentz, como presidente. "Ele (Higor) já está sondando equipe, querendo saber como funciona cada setor e tentando montar um planejamento para os próximos seis meses", revelou a fonte que preferiu não se identificar.

DivulgaçãoHingor Hentz nega qualquer articulação e diz não ter pretensão de assumir presidênciaHingor Hentz nega qualquer articulação e diz não ter pretensão de assumir presidência
De acordo com as informações apuradas, e ratificadas por outras duas pessoas consultadas pela reportagem do VIVER, Hentz teria sido supostamente indicado à prefeita Micarla de Sousa pelo padrinho dele, o advogado e poeta Diógenes da Cunha Lima, e uma carta se auto-recomendando teria sido escrita: "Ele pediu para Roberto Lima assinar, mas o presidente preferiu escrever com suas próprias palavras o documento", afirmou a fonte, que complementou: "Estão usando a Fundação como moeda de troca para pleitear um possível apoio de Diógenes (da Cunha Lima) ao próximo Procurador-Geral do Município."

Conforme uma das fontes citadas, caso a indicação se confirme, "haverá uma debandada geral e já tem pedido de exoneração preparado." O presidente Roberto Lima não foi localizado para comentar o assunto.

Higor Hentz conversou com a TN e negou qualquer articulação. "Não tenho nenhuma pretensão junto à Presidência da Capitania, não existe nenhum questionamento nesse sentido", garantiu. "A situação da Funcarte é uma coisa que ainda precisa ser resolvida com a prefeita Micarla de Sousa, e eu continuo exercendo meu cargo normalmente. Tenho compromisso com o professor Roberto Lima, sou leal a ele e a prefeita", ressaltou.

Aldair DantasApesar de já ter externado intenção de sair, Roberto Lima ainda responde como presidenteApesar de já ter externado intenção de sair, Roberto Lima ainda responde como presidente
Questionado sobre um possível convite para assumir o cargo, disse que iria "apreciar pela estima que tenho por eles", afirmando que a suposta indicação de seu nome por Diógenes da Cunha Lima não procede "de jeito nenhum": "Nosso vínculo pessoal não interfere na minha atuação profissional", reforçou.

No início de abril, quando Roberto Lima esteve afastado do posto por duas semanas devido problemas de saúde, a vice-presidente Camila Cascudo assumiu interinamente à dianteira da Funcarte. Na época, ela declarou à TN que "qualquer pessoa que venha a assumir a presidência deve colocar em prática uma política de austeridade. É preciso cumprir o calendário e realizar o que já está programado, além de evitar que processos fiquem pendentes para a próxima gestão."

Convênio entre Ativa e Capitania atrasa salários

Além da falta sistemática de um cronograma capaz de fomentar o setor cultural do município, a Fundação Capitania das Artes ainda não restaurou o funcionamento da Escola de Teatro Nereu Ramos, na zona Norte; os Núcleos setoriais continuam desmantelados desde o início de fevereiro; a renúncia fiscal para o Programa Djalma Maranhão (lei de incentivo) não foi publicada; os recursos do Fundo de Incentivo à Cultura - FIC 2011 não estão garantidos; e boa parte dos servidores que prestam serviços à Capitania, cerca de 80 funcionários contratados pela Ativa - organização não-governamental vinculada ao município - estão com salários atrasados desde fevereiro.

Segundo a secretaria executiva do Programa Djalma Maranhão, a expectativa é que a renúncia fiscal seja anunciada até a próxima semana. "Enviamos as estimativas de anos anteriores e estamos no aguardo", resumiu a assistente do setor Alessandra Macêdo. "Esse assunto está em pauta já para a próxima conversa que tiver com o presidente", lembrou o assessor jurídico da Funcarte Higor Hentz.

Sobre o convênio com a Ativa, Hentz confirmou os atrasos e informou que o processo foi encaminhado à Controladoria do município pela primeira vez em janeiro. "Como não tinha domínio do assunto, demorei um pouco para despachar pois precisava analisar esse convênio de forma detalhada, conforme orientação da própria Controladoria. Mas a documentação já foi aprovada e assinada."

O advogado só não soube informar quando serão liberados os pagamentos de salários atrasados de faxineiros, porteiros, zeladores e servidores que mantêm funcionando a Escola de Balé, o Centro Municipal de Artes Integradas (CMAI) na zona Norte, o Museu de Cultura Popular, a Biblioteca Municipal entre outros setores da instituição.

"Estamos numa situação muito difícil e dizem que as coisas vão piorar", declarou um servidor antigo, que também não quis se identificar. "Tô fazendo bicos por fora para me manter. Tenho que pagar a energia, comer, me vestir, tenho família, estou com dívida no banco e não é culpa minha. Vou roubar?", questionou o funcionário que continua dando expediente.

"O pior é que quando vamos perguntar alguma coisa para os comissionados, que recebem salário todo mês e deveriam estar zelando pela administração da Capitania, ficam soltando piadinha, dizendo que 'só quem pode dar uma luz é Jesus'. É de lascar, só quem trabalha lá é a gente, o resto está ali só esperando a hora passar", desabafou.

O servidor disse que Ativa e Capitania ficam "um jogando a responsabilidade para o outro e não resolvem nada". O atual presidente da Ativa, Rodrigues Neto, por sinal ex-presidente da Funcarte, foi localizado na sede da entidade mas não atendeu a reportagem da TRIBUNA DO NORTE, que tentou contato pelo celular. Neto também não retornou os recados deixados com a secretária do gabinete para esclarecer a situação.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Novas regras do jogo


MinC publicou nova Instrução Normativa que aprimora procedimentos de incentivos fiscais

O Ministério da Cultura (MinC) elaborou nova Instrução Normativa (IN) que readequa procedimentos para apresentação, recebimento, análise, aprovação, execução, acompanhamento e prestação de contas de propostas culturais, relativos ao mecanismo de incentivos fiscais do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), implementado pela Lei Rouanet.

As novas regras para projetos que buscam autorização para captação de recursos começam a valer a partir desta sexta-feira, 10, com a publicação da IN nº 1/2012, no Diário Oficial da União (Seção 1 , páginas 10 a 17).

O novo instrumento foi construído em atendimento às recomendações dos órgãos de controle e a partir de uma avaliação da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), principalmente quanto aos aspectos técnicos e às demandas dos proponentes, depois de quase um ano e meio de publicada a primeira IN, o que permitiu um diagnóstico operacional.

A Instrução Normativa atualiza regras, incorpora e legitima critérios já sedimentados na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), organiza fluxos internos, estabelece novos prazos e disciplina conceitos.

 
Mudanças
Uma das principais inovações é a quantificação de propostas culturais apresentadas. A medida atende ao principio da não concentração, exigido pelos órgãos de controle e já é previsto no artigo 19 da Lei Rouanet. A admissão de novos projetos será limitada, durante o ano, em 6.300, e respeitará os limites por área cultural. A Sefic, entretanto, poderá autorizar a admissão de propostas acima dos limites estabelecidos nos casos de projetos contemplados em seleções públicas ou respaldados por garantia de patrocínio.
Também para fins de cumprimento aos princípios da não concentração, o orçamento da proposta ou o somatório dos orçamentos dos projetos ativos no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) estará limitado, por proponente, ao percentual de 3% do valor autorizado para renúncia fiscal do ano em curso, para pessoas jurídicas, e 0,05% para pessoas físicas. Para este ano, o valor da renúncia fiscal da Lei Rouanet, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), é de R$ 1.192.534.925.

Monitoração
Outro procedimento da IN é o reforço da necessidade e importância de os produtores culturais monitorarem todas as ações e situações dos seus projetos junto ao Salic. A medida ganhou força, sobretudo, depois do dia 24 de janeiro, quando a maioria dos informes para ajustes necessários aos projetos incentivados pela Lei Rouanet passaram a ser registrados no Sistema.

Dessa forma, os informes passaram a não ser mais encaminhados por meio físico, exceto aqueles obrigatórios, que envolvem o cumprimento de ritos legais, conferindo maior celeridade ao fluxo de informações com os proponentes. Ainda este semestre, será lançada uma nova versão do Salic, visando a um melhor acompanhamento dos projetos.
Obs:
Pra quem, como eu, prefere o texto sem estar no formato PDF da publicação do DOU, a Instrução está aqui

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Reinado sem Deífilo

Soube agora do falecimento do pesquisador Deífilo Gurgel. Uma perda sem mensura para cultura do RN. Tive a honra de com Anna Jasiello, realizar a  produção gráfica do seu último trabalho, O Reinado de Baltazar, editado pela Funcarte, em 2007, dentro da Coleção Letras Natalenses. Muito luz para o famliares!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Decadência

Chegou-se a um estágio em que nem há mais o que falar sobre a saída do presidente da FUNCARTE, Roberto Lima. Protagonista de uma epidemia de notícias ruins o ano todo, a FUNCARTE atual não merece sequer um post. Nem mesmo comentar as criaturas cogitadas nos últimos dias para assumir a presidência.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O maior ralo do recurso para cultura


Segue abaixo matéria da Tribuna do Norte sobre dispensa de licitações da Funcarte. Me admira saber que existe registro de preço para alguns itens descritos na matéria. Exemplo: usa-se a dispensa para pagar a  criação e confecção de figurino, quando na verdade somente a criação é que pode ser inexigível. A confecção das peças e compra dos materias podem e devem ser licitadas. Uma vez pesquisando na internet, vi que a Fundação de Cultura de João Pessoa licita até lantejoula e cetim. Aqui em Natal é diferente. Se estabelece um montante que se quer e diz que é pra criação e confecção. Assim o figurino que poderia sair por R$100 reais chega a custar R$ 300,00 (bom né?) É aí que muita gente se dá bem. Com cenário acontece a mesma coisa. Nenhuma novidade. O TCE que abra olhos!

Ah, e que tal 111 mil reais para direção de um desfile? Certa vez, Josenilton Tavares me disse que um diretor global ganha essa valor pra comandar uma minissérie. Tá bem global esse cachê!


Dispensas de licitações somam um milhão de reais


O Diário Oficial do Município (DOM) da capital desta terça-feira (3) trouxe a publicação de uma serie de dispensas de licitação e inexigibilidade (quando é impossível promover a competição, tendo em vista que o contratado reúne qualidades que o torna único e exclusivo) que somam R$ 1,05 milhão para pagamento de atividades diversas do projeto "Natal em Natal". No DOM de 29 de dezembro outros meio milhão (R$ 535 mil) já haviam sido publicados resultado de extratos também por inexigibilidade. O contratante é a Fundação Capitania das Artes (Funcarte) e tem a assinatura do presidente da instituição, Roberto Lima. Os montantes mais substanciais são oriundos da 'criação do figurino, cenografia e produção do desfile temático do Natal em Natal, que foi orçado em R$ 129 mil; da contratação do elenco que figurou no espetáculo, num total de R$ 295 mil; e da concepção, direção e composição do evento, que custou R$ 111 mil.

As dispensas de licitação e inexigibilidade estão dispostos nos 51 processos publicados no boletim oficial do município. Os serviços contratados variam de R$ 1,5 a R$ 295 mil e incluem fornecimento de lanches para os participantes do desfile temático do Natal em Natal, serviços de eletricidade, locação de iluminação e equipamentos de sonorização, entre outros. Os valores pagos às bandas que tocaram no evento, inclusive no show da virada do ano variavam de preço e houve serviço de agenciamentos de artistas e bandas. Um dos casos de agenciamento, em que 12 apresentações de 12 artistas foram realizados o profissional que intermediou o contrato recebeu R$ 30 mil.




Continua aqui





domingo, 8 de janeiro de 2012

Petrobrás Cultural até dia 21 de janeiro

O PPC – Programa Petrobrás Cultural foi criado em 2003, os patrocínios culturais existem desde 1980, mas foi em 2001 que a Petrobrás iniciou sua primeira seleção pública de projetos a nível nacional.


O projeto Petrobrás Cultural 2012 terá sua 7ª edição agora no ano de 2012 o processo de seleção é feito por uma Comissão de seleção que vai averiguar o mérito e a relevância do projeto e se ele é viável de ser executado, buscando sempre que a diversidade étnica regional e cultural receba seu devido valor.


As inscrições para participar do Petrobrás Cultural 2012 estão abertas desde 18 de novembro de 2012 e serão encerradas dia 21 de janeiro de 2012 os resultados serão divulgados dia 29 de março de 2012


Para maiores informações acesse o site e ver o Resultado do Programa Petrobrás Cultural 2012 acesse: www.hotsitespetrobras.com.br/ppc



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lei Rouanet – 20 anos depois

Segue abaixo artigo do Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes, acerca do vigésimo aniversário da Rouanet. Apesar de não estar mais usando essa ferramenta de incentivo, pois não tenho mais paciência de explicar o que é bem permanente para servidores do MinC, posto o texto que está em discussão aqui


Neste 23 de dezembro, a Lei Rouanet completa 20 anos. Promulgada pelo então Presidente Collor, foi recebida como única possibilidade de avanço do setor cultural brasileiro, depois do nefasto desmonte de nossas instituições e transformação do ministério em uma secretaria, ligada à Presidência da República. No pior momento da cultura brasileira no Governo Federal, era sancionada uma lei que viria a ser o principal mecanismo de financiamento da cultura brasileira.

Durante muitos anos, e especialmente nos últimos meses, esse mesmo mecanismo tem sido objeto de debate, em especial, na mídia e nas redes sociais. Muitos equívocos estão sendo ditos e escritos, resultado de desconhecimento e de uma visão míope sobre sua finalidade e seu funcionamento. Em muitos casos, veiculam-se dados errados, compõem-se informações sem qualidade, publicam-se críticas negativas, escritas por quem desconhece o mecanismo, com o intuito, parece, de confundir a opinião pública ou de mostrar que a lei é a vilã dos incentivos fiscais no Brasil.

A Lei Rouanet criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos suficientes para estimular a produção e difusão de bens culturais, preservar patrimônios materiais e imateriais, proteger o pluralismo da cultura nacional e facilitar o acesso às fontes de cultura. Esses recursos são viabilizados a partir do investimento de pessoas físicas e jurídicas que utilizam um pequeno percentual de seu imposto de renda em ações culturais, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC).

Outras formas de incentivos fiscais são também oferecidas pelo Governo Federal em quase todos os segmentos da economia brasileira. A indústria automobilística, por exemplo, obtém volumosos lucros a partir dos incentivos fiscais destinados à fabricação de automóveis populares. O setor agrícola, muito justamente, também obtém resultados a partir da injeção de recursos públicos, mediante políticas de financiamentos a juros subsidiados ou garantia de preços mínimos. Ambos os casos estão dentro da legalidade. Por que, então, o segmento cultural é visto com tamanho preconceito? Por que a cultura não pode também se valer de incentivos fiscais para buscar seu desenvolvimento? O que existe de ilícito se, como outros setores, geramos renda, criamos emprego, fazemos girar a economia nacional? Ressalte-se que a Lei Rouanet foi discutida, votada e aprovada no parlamento brasileiro, e continua em pleno vigor.

Apesar de ser pequeno o volume de recursos de incentivos fiscais destinados à cultura – cerca de 1,5% de todo o incentivo fiscal federal – ao contrário do que se comenta, o Governo tem avançado muito na destinação desses valores para o setor. Em 2003, foi direcionado à renúncia fiscal para a cultura o valor de R$ 135 milhões. Em 2011, esse valor chegou a R$ 1,35 bilhão, um aumento de 1.000% em oito anos. Nesse período (2003-2011), foram alocados 5,9 bilhões para a Lei Rouanet.

Somente em 2010, foi captado R$ 1,160 bilhão. Isso atendeu apenas 24,61% de toda a demanda brasileira por esses incentivos, que atingiu o montante de R$ 4,71 bilhão. Nesse mesmo ano, o MinC recebeu 10.256 propostas de ações em busca de recursos, vindas de todos os estados brasileiros.

O Pronac é o mais transparente mecanismo de incentivos fiscais do Brasil. Todos os projetos incentivados estão publicados na internet, com nomes dos beneficiários, valores aprovados e captados e situação de cada um deles, inclusive da prestação de contas. O processo de análise das propostas, realizado em várias instâncias, desde o crivo de peritos terceirizados, profissionais da sociedade civil que atuam no mercado, é transparente e público. As sessões plenárias da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que acontecem nas cinco regiões brasileiras, são transmitidas ao vivo, pela internet, podendo ser acompanhadas por qualquer um, em qualquer lugar. Todos os processos estão detalhados no site do MinC e podem ser acessados, inclusive fisicamente, por qualquer cidadão brasileiro.

A importância desse mecanismo para o Brasil é visível e inquestionável. Vinte anos depois, o cenário cultural brasileiro é outro. E foi com o auxílio dos recursos oriundos dessa lei que milhares de ações culturais se realizaram, se mantiveram e prosperaram.
São resultados da Lei Rouanet, dentre outros:
–A manutenção de instituições culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil; Museu de Arte de São Paulo; Museu de Arte Moderna; Fundação Iberê Camargo; Museu Oscar Niemeyer; Instituto Cultural Itaú; Museu Asas de um Sonho; Academia Brasileira de Letras; Museu do Futebol e Museu da Língua Portuguesa; –A publicação de revistas culturais como Bravo, Cult, Continente Multicultural, Aplauso e Revista de História; –As intervenções de preservação de bens materiais edificados, como o Theatro Municipal e Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro; o Teatro São Pedro, em Porto Alegre; o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí; –Eventos tradicionais na área de audiovisual, responsáveis pela movimentação turística de dezenas de cidades brasileiras, como o Cine PE, em Recife; o Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís; o Festival de Gramado; o Cine Ceará, em Fortaleza; o Festival de Cinema de São Paulo; o Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro; –Eventos literários de indiscutível repercussão nos lugares onde se realizam, como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip); a Feira do Livro de Porto Alegre; a Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto); a Bienal Internacional do Livro de São Paulo; –Importantes eventos de artes visuais, como Bienal de São Paulo e Bienal do Mercosul, em Porto Alegre; –A manutenção de escolas de formação continuada: o Clube do Choro de Brasília, a maior escola de choro brasileira; a escola de Dança e Integração Social para a Criança e o Adolescente (Edisca), no Ceará, que inclui jovens em situação de risco pela via da dança; o Instituto Baccarelli, escola de música encravada em Heliópolis, a mais populosa favela de São Paulo; o Instituto Olga Kos, projeto que inclui crianças e adolescentes com Síndrome de Down, por meio das artes visuais; o Projeto Música para Todos, escola de música em Teresina, que forma anualmente centenas de profissionais; –A formação e manutenção de importantes orquestras, como a Osesp, a Osba, a Orquestra Sinfônica de Teresina; a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais; –Quase todo o movimento teatral das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com montagem e circulação de grandes produções, incluindo musicais de indiscutível qualidade, recebem o apoio da Lei Rouanet; –Ações de preservação do patrimônio imaterial, como as festas juninas do Nordeste; o Festival de Parintins, no Amazonas; o Festival de Circo do Brasil, realizado em Pernambuco; –A promoção de editais públicos dos grandes patrocinadores como Petrobrás, Eletrobrás, Natura, BR Distribuidora, esse último realizando a inédita circulação de grandes espetáculos de teatro pelas 27 unidades da federação; –A manutenção de grupos de arte, com trabalhos reconhecidos, como o Teatro Oficina; o Grupo Galpão; o Grupo Corpo; a Cia Quasar de Dança; Cia. de Dança Deborah Colker; –E, por que não, a promoção de grandes eventos nacionais, como o Rock In Rio; o BMW Jazz Festival;o Festival Jazz & Blues do Ceará; a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo); o Encontro Cariri de Arte e Cultura, no Ceará; a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco; o Festival de Teatro de Curitiba; Carnavais do Rio de Janeiro, de Pernambuco e da Bahia, ações geradoras de emprego e renda, que movimentam a economia brasileira de uma forma ainda não medida com a precisão que realce a sua importância no nosso país.
É claro que a Lei Rouanet pretendia ser, na época do desmonte das nossas instituições, a panaceia da cultura brasileira. Não foi. Hoje, é necessário e imprescindível que se pense em outras formas de financiamento.
Com esse foco, foi criada a Secretaria da Economia Criativa, uma iniciativa da atual gestão do MinC, que vem ao encontro dessa busca por novos caminhos, ao ampliar as possibilidades de desenvolvimento sustentável da cultura brasileira, de forma complementar ao mecanismo existente.
A Lei está em vigor e, por isso, o MinC tem buscado melhorias em seu funcionamento, ao simplificar processos, consolidar normativos, automatizar procedimentos, qualificar profissionais que operam o programa, aperfeiçoar as funções da CNIC e implantar melhorias na metodologia de acompanhamento e avaliação de projetos. Tudo isso feito com diálogo intenso com as classes artísticas, produtores culturais e investidores.
Decerto, a um mecanismo que tem 20 anos, faz-se necessária e oportuna sua revisão e atualização. O conceito de cultura brasileira é hoje muito mais amplo do que a Lei Rouanet alcançou em 1991. Por isso também o MinC encaminhou um Projeto de Lei (PL), uma proposta de mudança da legislação.
Esse PL é hoje amplamente discutido com a sociedade, a partir de provocações do parlamento brasileiro, em iniciativas democráticas e republicanas. Precisamos melhorar esse mecanismo, enfrentando, definitivamente, os problemas ainda existentes e avançando na melhor distribuição territorial dos recursos, na possibilidade de acesso igual por todos os segmentos e no fortalecimento do Fundo Nacional da Cultura, recursos que devem permitir que o MinC financie ações e setores invisíveis aos investidores que se utilizam do incentivo fiscal.
Depois de 20 anos, a cultura brasileira deve muito à Lei Rouanet. Por isso mesmo, enquanto não temos outro mecanismo, mais justo e mais contemporâneo, temos todos a obrigação de aperfeiçoá- la, por meio da melhoria de sua gestão e da qualificação do debate em torno do tema.

Henilton Menezes
Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A última da CAPITANIA desgovernada

A CAPITANIA DAS ARTES (e que arte?) promoveu um concerto, ontem, em homenagem ao aniversário de Natal, com a Banda Sinfônica e convidados... no meio do evento, para surpresa de todos, sobretudo músicos da BS, uma canja da Banda Gratith. É isso que eles chamam de presente?

https://www.facebook.com/#!/ilanafelix/posts/180115945420839?notif_t=share_comment


Foi o fim do AUTO DE NATAL e o início da BAIXARIA DE NATAL!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Natal verá dois concertos de Arthur Moreira Lima

Natal verá dois concertos de Arthur Moreira Lima: Uma apresentação será na Zona Norte; a outra no Campus da UFRN (Foto: Carlos Costa) “Um piano pela estrada” chega a Natal está semana. ...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação

E todo fim de ano quando involuntariamente começamos a fazer contabilidade da vida, lembro desse poema de Fernando Pessoa, em sua veste que mais gosto, Álvaro de Campos. E no primeiro reveillon deste blog, compartilho com vocês.

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;

Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...

Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...

Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.

Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...

Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,

Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,

E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa
 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A proposta do FUNDO ESTADUAL DE CULTURA

É longa a distância entre a intenção e o gesto. 
Do Fundo Estadual para fomentar a cultura independente de 1% do ICMS prometido na campanha para 30% dos 0,5 da renda tributária líquida do mesmo imposto. Como as coisas mudam!
E o conselho gestor do tal Fundo? MAJORITARIAMENTE formado por PAUS-MANDADOS (indicados da Governadora) Ou seja, verbas sendo repassadas pelo antigo e de sempre mérito político-eleitoreiro. EU VEJO UM MUSEU DE GRANDES NOVIDADES!

É por, principalmente, essas duas grandes distorções do projeto de lei que cria o FUNDO ESTADUAL DE CULTURA apresentado, ESTRATEGICAMENTE, às 25h do ano legislativo, que amanhã, às 9h, a classe artística deve comparecer à Audiência Pública na Assembléia Legislativa, convocada pelo Deputado Fernando Mineiro. A hora é AGORA!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ministérios da Cultura e da Educação lançam plano de cultura nas escolas

NÁDIA GUERLENDA para Folha.com

Os ministérios da Cultura e Educação assinaram na manhã desta quinta-feira um acordo de cooperação técnica sobre políticas de cultura para a educação básica, com vigência até 2014.

Com orçamento previsto de R$ 80 milhões para a primeira etapa -- a se iniciar em fevereiro de 2012 -- o plano é integrar programas que já existem em ambas as pastas.

Serão lançados três editais pelo MinC: o "Mais Cultura nas Escolas", que selecionará projetos que promovam a integração educação e cultura, o "Agentes de Leitura", que formará 4 mil jovens entre 18 e 29 anos para percorrer casas de alunos e incentivar a leitura por toda a família, e o "Cine Educação", que fará a capacitação de professores, além da distribuição de filmes nacionais nas escolas.

Além dos editais, há projetos como o Programa Nacional de Biblioteca Escolar, que distribuirá livros e DVDs sobre arte nas escolas. Outra meta do programa é formar 10 mil professores de arte até 2014.

A maior parte do dinheiro para o programa virá do orçamento da Educação, bem maior do que o da Cultura. "Se do ponto de vista material o MEC é importante, do ponto de vista espiritual a Ana de Hollanda é ainda mais", afirmou Fernando Haddad, ministro da Educação.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aculturação, Interculturalismo, Etnocentrismo...

Um glossário com 72 páginas de conceitos, definições e equívocos acerca do tema CULTURA. Esse é um dos volumes desta publicação do SESI de 2007, disponibilizada no site do MinC. Os outros volumes  tratam de "Leis de Incentivo à Cultura" e "O Desafio de Elaborar Projetos".

Vale à pena espiar: aqui




sábado, 3 de dezembro de 2011

DOC SEMANA DA MÚSICA


DOC SEMANA DA MÚSICA 2011

Direção
Ilana Felix

Roteiro
Sergio Vilar

Tradução 
Amandy Bandeira de Araújo

Direcão de Producão
Paulinho Marciano

Câmeras
Edmilson Negao
Denilson Tavares

Assistentes
Fonseca
Leilton

Edicão e Finalizacão
Chompoo

Som direto e Mixagem
Jota Marciano

Fotos

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PRÊMIO PALCOS MUSICAIS PERMANENTES

Apenas 15 projetos em todo Brasil foram escolhidos no prêmio PALCOS MUSICAIS PERMANENTES, voltado a espaços culturais com programação musical constante. Um dos contemplados foi o BURACO DA CATITA.
Eu e  João Paulo Kikomoto fizemos esse projeto que foi o primeiro da BRAVO ASSOCIAÇÃO CULTURAL. Um bravo começo!  Este ano já foi o segundo projeto que fiz na área de música instrumental contemplado em um edital nacional,  de longe, a minha grande paixão.



Abaixo lista dos contemplados por ordem de inscrição:

  1. Fábrica Cultural Música Pela Música RS Pelotas
  2. Revoltosa: A Caminho do Centenário PE Nazaré da Mata
  3. Esporte Clube Lira Contemporânea  SP São Paulo
  4. Ao Vivo na Serralheria!  SP São Paulo
  5. Buraco da Catita RN Natal
  6. Espaço Cultural Raízes  PI Teresina
  7. Palco Livre BA Uibaí
  8. Galpão Cheio de Assunto  BA Salvador
  9. Casa de Artes Paquetá RJ Rio de Janeiro
  10.  Palco Musical Carnaubeira CE Russas
  11. Palco Permanente Célula Cultural SC Florianópolis
  12. Edição Batuques SP São Paulo
  13.  Macondo Lugar Bar RS Santa Maria
  14.  Sociedade de Concertos Sinfônicos MG São João del Rei
  15. Espaço Mundo Associação Porta do Sol PB João Pessoa



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vários potiguares contemplados nos prêmios do PROCULTURA

Saiu esta semana o resultado dos editais do PROCULTURA que são custeados pelo Fundo Nacional de Cultura. Alguns projetos de Natal foram contemplados nos vários segmentos: Casa da Ribeira, Tropa Trupe, Grupo Gira Dança e Clows de Shakespeare, no segmento Circo, Teatro e Dança. O MPBeco foi contemplado com o Prêmio Procultura Festivais e Mostras de Música.

Tive o prazer de elaborar um projeto para o espaço cultural Buraco da Catita, junto com o arquiteto João Paulo Kikomoto, que foi agraciado no Prêmio Palco Permanente. Viva a "Catita", viva a Ribeira, hoje é dia de comemorar.

Quem quiser ver a lista completa dos premiados, é só ver aqui no site da FUNARTE

Aogra esperar que a Funarte pague mesmo os prêmios. Esperar!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Estudo comparativo das leis de incentivo à cultura



Para quem está querendo comparar as leis de incentivo à cultura no Brasil, uma boa fonte é essa publicação do SESI que tinha impressa e agora descobri em formanto online. Trata-se de uma publicação de 2007 com vários volumes, a que se dedica às leis de incentivo é o 4o. volume.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Do "gueto" para academia

Lembro quando ainda fazia parte da atual gestão municipal das ferrenhas críticas que teciam ao formato do Encontro Natalense de Escritores porque era um evento para "meia dúzias de pessoas" para "um gueto".

Pois foi aparvalhada que vi no jornal que o II ELLP, alguma coisa haver com países de língua portuguesa, começa hoje e se realizará na Academia Norteriograndense de Letras. Que local popular!
Eu, que trabalho no setor cultural há mais de dez anos, só fui lá uma vez, representar o grêmio escolar no velório de Câmara Cascudo. Realmente, a intenção saiu do que era um "gueto" e foi para o local mais inacessível para população em geral, a ANL. Incoerência é pouco, para isso ainda vão inventar um nome, diria Clarice Lispector.

A Funcarte além da não fazer quase nada do que é a sua missão (a Escola de Teatro definhando, a Escola de Ballet Municipal com a menor quantidade de alunos desde sua criação, o Sandoval fechadinho da Silva para sempre,  etc etc etc), resolveu agora promover eventos acadêmicos do tipo "o aluno tem que ir senão tira nota baixa na escola...". Juro que a única vez que vi as coisas retrocederem com tanta velocidade foi nos filmes de ficção, com uma maravilhosa máquina do tempo.

Ainda bem que a resposta a essa desastrosa política, cultural entre outras, está com dias contados. E falta menos de um ano. Aleluia, aleluia, Ale-lu-ia!



terça-feira, 22 de novembro de 2011

BNDES divulga cronograma para seleção de projetos para Patrocínio em 2012


Novas regras já estão publicadas no site do Banco

O BNDES adotou um novo sistema para recebimento de solicitações de patrocínio a publicações, eventos culturais e técnicos cuja realização esteja programada para o ano de 2012. O envio de projetos deverá obedecer aos períodos específicos de inscrição estabelecidos pelo Banco, que busca, assim, garantir maior agilidade à análise dos pleitos.


Para os eventos e publicações com início de março a maio de 2012, as inscrições já estão abertas no site do BNDES e vão até o final de dezembro. Já para os projetos que se iniciam entre os meses de junho e agosto, as inscrições poderão ser realizadas de 1º de fevereiro a 15 de março. E, por fim, eventos e publicações realizados de setembro a novembro terão inscrições no período de 1º de maio a 15 de junho. 


Os proponentes que receberão o apoio financeiro serão notificados, respectivamente, nos meses de fevereiro, maio e agosto de 2012. As informações sobre a política de patrocínio do BNDES estão disponíveis no link www.bndes.gov.br/patrocinio


Atuação em 2011 – O BNDES já viabilizou, por intermédio do patrocínio, a realização de mais de 100 projetos em 2011, com um aporte de cerca de R$ 15 milhões, destinados a seminários, congressos, feiras, espetáculos, exposições e festivais.


Na área cultural, o BNDES investiu na realização de projetos relacionados a cinema, música, dança, literatura e patrimônio histórico, buscando não apenas contribuir para a difusão da cultura brasileira, como também estimular o crescimento econômico do setor. 


O patrocínio, distribuído por todas as regiões do Brasil, contemplou eventos como o Fest Cine Amazônia, em Porto Velho (RO), a Mostra Internacional de Música de Olinda (MIMO), a III Feira Literária de Pirenópolis (FLIPIRI), em Goiás, a Bienal Vento Sul, em Curitiba (PR), e o É Tudo Verdade - 16º Festival Internacional de Documentários, no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP). 


O patrocínio a eventos e publicações é realizado anualmente pelo BNDES e soma, desde 2004, um investimento de cerca de R$ 50 milhões, em mais de 500 projetos.

BNDES: Apoio financeiro além do mecenato


Confesso que não conhecia esse programa. E chego à conclusão que esse Curso de Projetos Culturais do MinC em parceria com a FGV é a maior propaganda do governo federal na área cultural. Seguem as informações que colhi por causa da disciplina Economia da Cultura.



Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura - BNDES Procult


Dedicado exclusivamente à cadeia produtiva do audiovisual até novembro de 2009, o Procult alcança uma nova fase e se expande para diferentes segmentos da economia da cultura. Assim, o Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura – BNDES Procult se consolida como o principal instrumento do Banco de apoio ao setor cultural, estruturado em três subprogramas.
O BNDES Procult mantém toda a gama de operações que já efetuava na cadeia produtiva do Audiovisual, como financiamentos, fundos de investimento, edital de cinema e recursos não reembolsáveis. Além disso, o programa amplia e melhora o suporte financeiro já prestado a outros segmentos da economia da cultura.

Empreendimentos não apoiáveis

  • Projetos de cunho publicitário, religioso, pornográfico e/ou político-partidário;
  • Empreendimentos nos setores de Radiodifusão, Jornais e Periódicos, Meios de Comunicação e Publicidade em Geral. 

Segmentos de atuação

O BNDES Procult fornece apoio financeiro às atividades culturais nos segmentos abaixo: 

Subprogramas

O BNDES Procult fornece apoio financeiro por meio dos seguintes subprogramas:
Veja, aqui, quais subprogramas apoiam cada segmento de atuação:

O Flipipa cada vez melhor


Vista da nova Flipipa. Foto: Ilana Félix


Ia fazer um balanço do FLIPIPA (Festival Literário da Pipa), mas depois de ler a resenha de Yuno Silva, repórter da Tribuna do Norte, desisti por corroborar com tudo que ele colocou. Sendo assim, segue aqui embaixo com grifos (negritos) meus. Mas preciso comentar o excelente formato que a terceira edição encontrou ao estacionar ali num amplo terreno na entrada da parte mais urbana da Pipa.



Soube, trabalhando nos bastidores, que quase tudo foi se idealizando ao acaso. Exemplo: Tinha uma casa no meio do caminho, digo terreno, que logo se transformou na Casa das Palavras, ricamente preenchida por instalações que tiveram a curadoria de Angela Almeida. Um coqueiro maravilhoso do mesmo terreno, recebeu uma instalação de Candinha Bezerra: Carangueijo, CUIDADO! Num alerta necessário para devastação que essa espécie vem sofrendo com a multiplicação de viveiros de camarão nos mangues daquela região.



Instalação de Candinha Bezerra
  

Outro ponto que não pode passar sem menção foi a programação visual do evento, ricamente pensada por Roberto Medeiros. Eram dezenas de banners gigantes decorados com fitas de cetins, lembrando os galantes do boi de reis. Ademais, só a afinadíssima produção da equipe regida por Dácio Galvão, que vai realizando mais um excelente trabalho em prol da valorização cultural daquele "leste praieiro".




FLIPIPA EQUILIBRADO
Por Yuno Silva

O aproveitamento acima da média é um bom resultado para qualquer evento que está encontrando seu formato ideal, e a terceira edição do Festival Literário da Pipa foi marcada por participações primorosas, debates interessantes e alguns tropeços incalculados. Quem acompanhou atentamente os três dias pôde perceber os altos e baixos nas dez mesas organizadas pela curadoria. Mas, antes de mais nada, uma coisa é certa: o novo local onde foi montada a Tenda dos Autores, palco principal do evento, conferiu unicidade e maior integração entre as diversas atividades promovidas pelo Flipipa - e, conhecendo a dinâmica imobiliária daquele trecho do litoral potiguar, é prudente garantir desde já um lugar para o Festival em 2012. Merece atenção a necessidade de se disponibilizar acesso à internet para que o evento se multiplique.



PRIMEIRO DIA

 

Na quinta-feira (17), o debate em torno da obra do sertanista Oswaldo Lamartine de Faria abriu a programação do Flipipa 2011 de forma morna. A conversa entre Paulo Bezerra Balá, Humberto Hermenegildo e Paulo de Tarso não rendeu o esperado, e as participações praticamente ficaram limitadas a leitura de textos previamente escritos para a ocasião. Por mais interessante que o assunto seja, não há como prender a atenção de uma plateia ainda rarefeita que começava a chegar na praia da Pipa. Autoridades no assunto, o trio não conseguiu deslanchar um bate-papo instigante sobre a vasta temática que abrange a literatura oswaldiana.

 

Se a abertura foi morna, a segunda mesa foi quente. O escritor e jornalista português Miguel Sousa Tavares incendiou o público ao especular sobre paranóias que orbitam entre teorias conspiratórias e a opressão imposta pelas convenções "politicamente corretas". Mediado na medida certa pelo jornalista Woden Madruga, o debate levantou questões polêmicas como a falta de propósitos do novo acordo ortográfico e os prejuízos gerados pelo uso das redes sociais.




A poesia visual de Arnaldo Antunes fechou a primeira noite. Com uma agenda apertada, Antunes passou 12h em solo potiguar, e só aterrissou pra valer do meio para o final da conversa com o poeta e professor Jarbas Martins. Cantou, declamou e arrebatou o grande público. Mas o debate acabou ficou na média, muito em decorrência da exagerada empolgação de Martins.

 

SEGUNDO DIA

Funcionando como um relógio, o Flipipa respeitou todos os horários estabelecidos na programação e abriu a segunda noite sobre a troca de correspondências entre Câmara Cascudo e Mário de Andrade. O historiador e professor Marcos Silva mostrou que está afiado no assunto, e sombreou a participação de Edna Rangel e Diógenes da Cunha Lima.

Já o teórico Davi Arrigucci Jr, que prosseguiu com o tema Modernismo na conferência que ilustrou a segunda mesa, apresentou as várias conexões entre Manuel Bandeira e Movimento que eclodiu em 1922.

Bandeira se desgarra da poesia parnasiana antes dos modernistas, e se manifesta de forma contundente contra o cenário que até então estava estabelecido", explicou. "Ele enxerga que há poesia em tudo: no amor, no chinelo, na lógica ou nos disparates, nas zonas mais baixas e nas mais elevadas", garantiu, afirmando que Manuel Bandeira tinha uma personalidade "áspera e intragável. Ele era um individualista ferrenho que praticava uma poesia coletiva", simplifica Arrigucci.

O biógrafo Fernando Morais foi a grande atração da noite. Simpático e bem humorado, socialista de carteirinha, Morais fumou cinco charutos e falou sobre seu recente livro "Os últimos soldados da Guerra Fria", história colhida ao ouvir o noticiário dentro de um táxi em São Paulo que dava conta da prisão de espiões cubanos nos EUA em plena década de noventa, e arrancou risadas da numerosa plateia ao contar passagens divertidas de suas muitas histórias.

Sobre a biografia de Paulo Coelho...

Continua aqui